Lopetegui não nega o poder, mas dá o mérito à SAD


lnvestimento? Além de Imbula. poucos não foram a custo zero

Há a ideia de que o FC Porto se reforçou muito, com jogadores como Imbula, por valores elevados. Não o preocupa o aumento de exigência associada a esse tipo de investimento? – Não sou muito de números, mas não acredito que existam muitas equipas na Europa que apresentem um balanço tão positivo como o FC Porto no que respeita à comparação de valores entre saídas e contratações, na grande maioria a custo zero. O que temos é de fazer uma nova equipa que seja capaz de transmitir essa competência, que reconhecem aos jogadores que contratámos.

Quando chegou, ficou logo conhecido por promover um juvenil, que agora será concorrente de Imbula. Como evoluiu Rúben Neves e o que lhe augura? – Um futuro fantástico. Tem uma vontade fantástica de melhorar e aprender. Tem uma atitude fantástica. Continuamos a trabalhar com muita esperança nele.

Lopetegui insiste em não fechar a porta: até ao encerramento do mercado, tudo pode acontecer, com a certeza de que, no FC Porto, jovens ou consagrados, todos têm de provar o que valem

Confirmação: a gestão desportiva do FC Porto é da responsabilidade do treinador. Lopetegui não nega o poder, mas dá o mérito à SAD na forma como esta consegue os alvos que vai definindo. Casillas é o mais consagrado, mas os títulos que traz são assunto de museu. Passado é também Jackson Martinez, um grande capitão. Oliver nem tanto…

É possível separar os jogadores que foram sugeridos por si e aqueles que foram uma escolha da estrutura? – Não é assim que funciona. Os jogadores não são do treinador, do presidente ou do Antero: são do FC Porto e a esse nível há uma comunhão fantástica na hora de tomar decisões. É verdade que a gestão desportiva me compete a mim, mas é o clube que assume os dossiês e que faz todo o trabalho.

Todos sabemos que a sua presença no FC Porto tem sido importante para as decisões de alguns jogadores, nomeadamente os espanhóis. Como é que conseguiu convencer Casillas? O que lhe disse? – Não vou entrar nos detalhes daquilo que são conversas pessoais com jogadores que muitas vezes são amigos. Aconteceu tudo com normalidade. Havia uma grande vontade de jogar no FC Porto por parte dele e havia uma grande vontade nossa de tê-lo cá. A partir dai, tudo se simplifica, mas é importante sublinhar o enorme trabalho do clube, do presidente e do Antero Henrique que foi decisivo.

É um desafio ter um jogador tão consagrado num plantel relativamente jovem como é o do FC Porto? – Não olhamos para os jogadores com base nos títulos que ostentam. Isso é para os museus. Nós olhamos para a competência, para a vontade que têm de render o máximo. E todos, sem exceção, têm de fazer o seu caminho no FC Porto. O que fizeste antes não te garante nada para o futuro e todos sabem disso. A nós compete-nos acompanhá-los e ajudá-los nesse caminho, mas também exigir.

Não olhamos para os jogadores com base nos títulos que ostentam

A chegada do Casillas implicou a saída do Fabiano. Houve um episódio relatado nos jornais sobre um eventual problema com ele…
– Isso não passou de uma completa invenção. Não tive nenhum problema desse género com ninguém. No ano passado, reunimos um grupo de excelentes profissionais, entre eles um grande capitão, um autêntico exemplo para todos. Este ano, vamos à procura do mesmo, ser uma boa equipa e um bom grupo, para podermos aspirar a ganhar todas as competições em que participemos.

O FC Porto está à procura de melhorar sempre e veremos o que acontece

Jackson, o capitão de que falava, foi o jogador que mais lhe custou perder? – Se pensarmos nos jogadores que saíram, temos de recordar que dois foram para o Atlético de Madrid, outros dois para o Real Madrid… Ficamos contentes por eles, mas logicamente não podemos parar a lamentar os jogadores que não estão. Temos de olhar para os que temos, pois são os que nos vão ajudar a crescer e a fazer uma nova equipa.

Será complicado encontrar uma alternativa aos 30 golos que Jackson valia por época? – Quando perdes um jogador importante, nunca é fácil, mas a nossa obrigação é encontrar soluções. Importantes agora são os jogadores que temos connosco. Aos outros, desejamos toda a sorte do mundo, mas falamos de presente, de futuro, de exigência e da vontade de trabalhar com os jogadores que temos este ano para marcarmos os golos de que vamos precisar.

Enxerto da entrevista do jornal “OJOGO”